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1.0 Termos & Conceitos
Sistema
Conjunto de elementos inter-relacionados ou interativos. Um sistema é composto de várias partes que trabalham de maneira harmônica para atender a um objetivo comum para o qual foi criado.
No caso de uma empresa é importante, que todos os setores/departamentos trabalhem segundo regras previamente estabelecidas de forma a garantir um produto final com qualidade, consequentemente, o lucro.
O conjunto de regras que orienta cada parte da empresa para que executem corretamente suas atividades constitui-se no Sistema da Qualidade.
Vários modelos de Sistema da Qualidade têm sido adotados pelas empresas e, entre eles, o ISO série 9000 é o mais utilizado pela sua simplicidade e eficácia.
Gestão e processo
As atividades coordenadas para dirigir e controlar uma organização define o conceito da Gestão.
Um processo é uma sequência de operações sistemáticas que transformam matérias-primas em produtos acabados.
Existem diferentes tipos de processos industriais, como contínuos, em lote, discretos ou sob demanda. As fases principais incluem a pesquisa, aquisição e processamento de materiais, até o controle de qualidade, armazenamento e distribuição.
Dispositivos de medição e monitoramento
Os dispositivos de medição devem ser:
Calibrados ou verificados a intervalos especificados, ou, antes do uso, contra padrões rastreáveis por padrões de medição nacionais ou internacionais; quando não existirem tais padrões, a base utilizada para calibração ou verificação deve ser registrada;
b) Ajustados ou reajustados, quando necessários;
c) Identificados, a fim de mostrar a situação da calibração;
d) Protegidos contra ajustes que possam invalidar o resultado da medição;
e) Protegidos contra danos e deterioração durante o manuseio, a manutenção e o armazenamento.
“Para fornecer confiança nos dados, convém que os processos de medição e monitoramento incluam a confirmação de que os dispositivos são adequados ao uso e de que são mantidas a precisão adequada e os padrões aceitáveis, bem como meios de identificar a situação do dispositivo.
A calibração
Avaliar e registrar a validade dos resultados de medições anteriores, sempre que o equipamento for encontrado não-conforme com os requisitos, e tomar a ação apropriada em relação ao equipamento e a qualquer produto afetado.
Devem ser mantidos registros dos resultados da calibração e da verificação. Quando usado algum software no monitoramento e na medição de requisitos especificados, confirmar sua capacidade de satisfazer a aplicação pretendida, antes do uso inicial, e reconfirmar quando necessário
A Qualidade
Grau no qual um conjunto de qualidades inerente satisfaz a requisitos, conforme figura 1.1. Qual possui mais qualidade?
Figura 1.1 – Qualidade do produto (comparação)
Em termos industriais, qualidade é determinada pelo cliente, traduzindo suas expectativas e exigências em termos de determinadas características técnicas tais como. Segurança operacional, fácil manutenção, estética entre outras, sempre referidas ao valor que ele se dispõe pelo produto. Cabe ao fabricante detectar as características explícitas e implícitas do cliente e fabricar um produto que as atenda de maneira mais satisfatória. Este é um processo continuo face a concorrência e as exigências cada vez maiores do cliente
Evolução da qualidade e a inspeção
A atuação do profissional de inspeção em um SPIE é significativamente mais ampla do que a execução isolada de exames e medições.
O inspetor participa da geração das evidências técnicas que irão subsidiar decisões de engenharia, enquanto o PLH atua na interpretação dessas informações e na gestão técnica da integridade dos equipamentos dentro de suas atribuições.
Nesse contexto, procedimentos, registros, arquivo técnico, rastreabilidade, tratamento de não conformidades e acompanhamento das recomendações constituem elementos essenciais. A filosofia pode ser resumida em uma sequência:
Planejar corretamente → Executar conforme procedimento → Registrar com rastreabilidade → Avaliar tecnicamente → Decidir com base em evidências → Acompanhar a decisão → Atualizar o histórico.
O verdadeiro objetivo não é simplesmente produzir relatórios. É construir e manter uma base técnica confiável para a gestão da integridade dos equipamentos ao longo de sua vida operacional.
Figura 1.2 – Evolução da qualidade
Para o profissional que atua como inspetor de caldeiras e PLH em um SPIE, essa mudança de visão é fundamental:
O inspetor não é apenas o profissional que procura descontinuidades; é um dos responsáveis pela produção das evidências que sustentam a gestão da integridade. O PLH, por sua vez, não é apenas quem assina documentos; é o profissional que utiliza conhecimento de engenharia, histórico, inspeção e critérios técnicos para fundamentar decisões relacionadas à integridade dos equipamentos.
Ciclo da Melhoria Contínua
Figura – Ciclo PDCA
ISO – Organização Internacional para Normalização
A ISO – International Organization for Standardization é uma organização internacional independente que desenvolve e publica normas técnicas e padrões internacionais, com o objetivo de promover a padronização, a qualidade, a segurança, a eficiência e a compatibilidade de produtos, serviços e processos.
Principais características da ISO
- Fundação: 1947, no período posterior à Segunda Guerra Mundial;
- Natureza: organização internacional independente, não governamental e sem fins lucrativos;
- Sede: Genebra, Suíça;
- Participação internacional: reúne organismos nacionais de normalização de mais de 160 países;
- Normas publicadas: a ISO possui um catálogo com milhares de normas e documentos normativos internacionais, abrangendo praticamente todos os setores da economia e da indústria;
- Aplicação: suas normas são utilizadas mundialmente como referência para qualidade, segurança, meio ambiente, gestão, fabricação, ensaios, inspeção, tecnologia e diversos outros campos.
É importante compreender que a ISO não é uma empresa de certificação. A organização desenvolve as normas; a certificação de um sistema de gestão é realizada por organismos de certificação competentes e independentes, conforme os critérios aplicáveis.
Entre as normas mais conhecidas está a ISO 9001, que estabelece requisitos para um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ).
A ISO e a atividade de inspeção
No contexto da inspeção de caldeiras, vasos de pressão e demais equipamentos abrangidos pela NR-13, os conceitos de gestão da qualidade são importantes porque a confiabilidade de uma inspeção não depende somente da capacidade técnica do inspetor.
É necessário também que exista um sistema organizado para:
Planejar → Executar → Registrar → Verificar → Avaliar → Corrigir → Acompanhar → Melhorar.
Dessa forma, conceitos relacionados à ISO, especialmente controle de documentos, controle de registros, rastreabilidade, tratamento de não conformidades, procedimentos e melhoria contínua, podem contribuir para a organização das atividades de inspeção e para a gestão da integridade dos equipamentos.
No contexto de um SPIE – Serviço Próprio de Inspeção de Equipamentos, essa abordagem assume especial importância, pois as informações produzidas durante as inspeções precisam formar um histórico técnico confiável, permitindo acompanhar a evolução das condições dos equipamentos e fundamentar decisões relacionadas à sua integridade.
Conceito fundamental: a qualidade da inspeção não está apenas no que o inspetor encontra em campo, mas também na forma como a atividade é planejada, executada, registrada, analisada e acompanhada ao longo da vida do equipamento.
Figura 1.3 – A origem do ISO
Normas ISO
ISO 9000 – Fundamentos e Vocabulário
ISO 9001 – Requisitos
ISO 9004 – Diretrizes para Melhorias e Desempenho
ISO 10005 – Diretrizes para planos da qualidade
ISO 10006 – Diretrizes para qualidade no gerenciamento de projetos
ISO 10011 – Diretrizes para auditoria de sistema da qualidade
ISO 10012 – Garantia da qualidade para equipamentos de medição
ISO 10013 – Diretrizes para desenvolvimento de Manual da Qualidade
ISO 10014 – Diretrizes para gestão de aspectos não econômicos da qualidade
ISO 10015 – Diretrizes para treinamento
ISO 10017 – Guia para aplicação de Técnicas Estatísticas
Terminologia
Ação Corretiva
Ação para eliminar a causa de uma não-conformidade identificada ou outra situação indesejável. (NBR ISO 9000:2000)
Ação Preventiva
Ação para eliminar a causa de uma potencial não-conformidade ou outra situação potencialmente indesejável. (NBR ISO 9000:2000)
Conformidade
Atendimento a um requisito. (NBR ISO 9000:2000)
Correção
Ação para eliminar uma não-conformidade identificada. (NBR ISO 9000:2000)
Nota: AÇÃO CORRETIVA é diferente de CORREÇÃO
Documento
Informação e o meio no qual ela está contida. (NBR ISO 9000:2000)
Exemplos: Registros, Especificações, Desenhos e Normas.
Nota: A mídia pode ser papel, magnética, eletrônica, fotografias ou uma combinação destas.
Documento Normativo
Documento que estabelece regras, diretrizes ou características para atividades ou seus resultados. (ABNT ISO / IEC GUIA 2:1993)
Evidência Objetiva
Dados que apoiam a existência ou a veracidade de alguma coisa. (NBR ISO 9000:2000)
Nota: Evidência objetiva pode ser obtida através de observação, medição, ensaios ou outros meios.
Eficácia
Extensão na qual as atividades planejadas são realizadas e os resultados planejados, alcançados.
Eficiência
Relação entre o resultado alcançado e os recursos usados.
Registro
Documento que apresenta os resultados obtidos ou fornece evidências de atividades realizadas. (NBR ISO 9000:2000)
Satisfação do Cliente
Percepção do cliente do grau no qual os seus requisitos foram atendidos. (NBR ISO 9000:2000)
Nota 1: Reclamações de clientes são indicadores usuais da baixa satisfação do cliente, porem sua ausência não implica, necessariamente, alta satisfação do cliente.
Nota 2: Mesmo que os requisitos tenham sido abordados com o cliente e atendidos, isto não garante, necessariamente, uma alta satisfação.
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